Esta edição do Relatório Anual que você está lendo está carregada de muito significado.
Em primeiro lugar, cumpre destacar a marca dos 48 anos da fundação do Cepel. Ao longo desse quase meio século, consolidou-se a visão do ex-ministro professor Antonio Dias Leite Júnior, cuja atuação foi fundamental na criação do Centro, para que o setor elétrico brasileiro dispusesse de uma instituição de pesquisa e tecnologia com autonomia técnica e financeira, com “características de eficiência e de objetividade decorrentes do espírito empresarial”.
A concretização dessa visão se deve muito ao dr. Jerzy Zbigniew Leopold Lepecki, que dirigiu o Centro entre 1974 e 1991, deixando o valioso legado que é o trust o qual a instituição desfruta no mercado energético, aliás muito em razão, diga-se de passagem, da ação proativa de seus associados fundadores e principais mantenedores, as empresas Eletrobras.
Desde os primeiros anos, o Centro foi desenhado para ser uma instituição de elevada capacidade técnica, com o objetivo precípuo de dotar o país de importante infraestrutura laboratorial na área de energia elétrica, para ser, enfim, a expressão da proposta inovadora que trazia em sua gênese. Sim, o Cepel nasceu quando a capacidade instalada no sistema elétrico brasileiro era apenas 10% da registrada no ano passado (2021)1.
Desde seu início e ao longo dessas quase cinco décadas de existência, a missão do Centro sempre passou por se constituir em referência para o setor elétrico nacional e desenvolver soluções tecnológicas para ampliar a confiabilidade e a eficiência na oferta de energia para os brasileiros.
Mas, o ano passado e este que vivemos trouxeram (e trazem) outros elementos tão inspiradores e desafiadores quanto o foram os anos de criação e consolidação do Centro. A concretização do processo de capitalização da Eletrobras, que terá sido concluída quando da publicação deste relatório, é um deles.
Isso é de grande significado porque marca uma necessária evolução na relação entre o Cepel e seus associados fundadores, no sentido de torná-la, digamos, mais adulta. Contrariando o discurso de alguns, o Cepel não deve se distanciar das empresas Eletrobras. A relação entre as instituições, contudo, deverá prover elementos que não só reafirmarão o interesse dessas empresas em pesquisa, desenvolvimento e inovação como o ampliarão, em bases profissionais e com um desejado market driven. Ademais, abrirá, por outro lado, amplo espaço para evolução e reafirmação do Centro como uma instituição de alta tecnologia no Brasil e no mundo.
Para enfrentar o gigantesco desafio que se impõe à preservação do Cepel, o ano de 2021 foi crucial. Várias iniciativas foram postas em prática, a começar pela realização do planejamento estratégico, com o prestigioso apoio e suporte da FGV Energia.
Decomposto em quatro dimensões, o planejamento estratégico
Dimensão aprendizagem e crescimento
- excelência na gestão de recursos humanos;
- adequação do capital humano;
- atualização tecnológica da infraestrutura;
Dimensão processos internos (inovação e eficiência)
- excelência no desenvolvimento do conhecimento;
- foco no mercado;
- excelência na gestão de custos e receitas;
Dimensão mercado e stakeholders (relações institucionais e com o mercado)
- ampliação da representatividade e fortalecimento do quadro de associados;
- conquista de novos mercados;
Dimensão financeira
- autonomia financeira.
Desde o ano que se encerrou, vêm sendo definidos projetos estratégicos e executadas ações e iniciativas na direção indicada pelo planejamento estratégico. Ações e iniciativas que serão intensificadas ao longo de 2022.
Para cumprir esses propósitos impõem-se renovação, comprometimento, eficiência e dedicação. Nos últimos três anos, foram reduzidas significativamente as funções de assessoramento à diretoria. Hoje, todo o staff de apoio à direção, inclusive o apoio administrativo, somado ao número de gerências de departamentos2 corresponde a apenas 7% (sete por cento) de toda a força de trabalho do Centro. No mesmo período, percebeu-se uma renovação de 70% nas gerências desses departamentos, indicando uma saudável renovação na gestão do Centro.
Na mesma linha, tem-se buscado estabelecer parcerias estratégicas com vistas ao fortalecimento e à ampliação da atuação do Centro. São exemplos o MoU firmado com a Google Cloud no final de 2021, que traz a expectativa de aceleração de produtos e soluções desenvolvidos pelo Cepel, e o avanço dos entendimentos com o italiano CESI, na direção de aperfeiçoar a gestão dos laboratórios.
Em sintonia com as transformações que se impõem com a transição energética, cabe registrar a inauguração do Laboratório de Smart Grids, na Unidade Adrianópolis, fruto de parceria com o Ministério de Minas e Energia, a Petrobras e a própria Eletrobras, e o equacionamento de projetos pioneiros visando a pesquisas voltadas para o hidrogênio verde (H2V), em parcerias com a Vale e com a SPIC Brasil, sempre com apoio da Eletrobras e de suas empresas.
No que se refere ao aperfeiçoamento da governança, foram identificadas 17 políticas corporativas a serem submetidas ao Conselho Deliberativo do Cepel. Quatro delas foram revisadas em 2021: o Código de Ética e Integridade, a Política de Proteção a Dados Pessoais e Privacidade, a Políticas de Administração de Conflito de Interesses e a Política de Segurança de Informação. Outras quatro tiveram sua revisão iniciada: a Política de Consequências, a de Logística de Suprimentos, a de Gestão de Pessoas e a de Saúde e Segurança Ocupacional.
Entre as iniciativas internas, destacam-se a restruturação organizacional implantada no final de 2021, eficientizando as funções de assessoramento e direção, a elaboração do primeiro PDTI – Plano Diretor de Tecnologia da Informação, que permitiu a melhoria na governança de TI no Cepel, ordenando, consolidando e racionalizando as iniciativas na área, gerando, somente em 2021, uma economia de cerca de R$ 765 mil em custos evitados, e a implantação do Escritório de Gestão de Projetos Técnicos (EGP-T), permitindo organizar e racionalizar o acompanhamento e a priorização de atividades visando o melhor atendimento aos compromissos técnicos assumidos pelo Centro. E, por que não destacar, a publicação no ano passado do primeiro relatório da Administração totalmente digital e produzido com base nas diretivas da Global Reporting Initiative (GRI), experiência exitosa que se repete com este relatório.
Outras importantes medidas associadas ao planejamento estratégico e que já estão em curso são a revisão do Estatuto Social do Centro, na direção de modernizar o modelo de governança e ajustá-lo à realidade que advirá do processo de capitalização da Eletrobras, a revisão do regulamento de licitações e contratações, no sentido de conferir maior agilidade aos processos de aquisição de bens e serviços, e a estruturação de uma área de negócios e inovação, com o objetivo de ampliar a capacidade comercial e negocial do Centro.
E isso tudo foi feito em meio ao enfrentamento da pandemia da Covid-19, que permaneceu no cenário do ano passado, a despeito dos avanços na vacinação. O Cepel estabeleceu um cuidadoso plano de retorno às atividades presenciais a partir de meados do ano, focando principalmente nas atividades laboratoriais as quais, por sua própria natureza, não se adequam completamente ao regime de teletrabalho. O retorno às atividades presenciais de todo o Centro ocorreu, efetivamente, em dezembro de 2021, quando a vacinação contra a Covid-19 no país já avançara consideravelmente. Não obstante, iniciaram-se entendimentos com o corpo de empregados e com as entidades sindicais no sentido de ajustar um acordo que estabelecesse as bases para a adoção do regime de teletrabalho no Centro, onde for aplicável, por suposto.
O ano de 2021 foi, portanto, um ano de realizações importantes. A despeito das dificuldades e dos percalços, é digno de registro o aumento de mais de 19% na receita, que em 2021 ultrapassou R$ 36 milhões, pela comercialização de produtos e serviços, correspondendo a 17,3% de todo o ingresso de recursos3 (em 2020 essa proporção fora de 13,3%).
Tais resultados devem ser creditados principalmente ao conjunto de colaboradores do Centro, sejam os pesquisadores e o suporte administrativo, sejam os colaboradores terceirizados. É dever de justiça reconhecer e valorizar o maior ativo de uma instituição que produz principalmente conhecimento, que é seu corpo de colaboradores. A todos os colaboradores do Cepel, ficam, pois, os mais sinceros e respeitosos agradecimentos da Direção. Agradecimentos naturalmente extensivos aos associados, parceiros e clientes do Centro.
Boa leitura!
Consuelo Garcia
(Diretora de Gestão Corporativa)
Amilcar Guerreiro
(Diretor-Geral)
Maurício Barreto Lisboa
(Diretor de Tecnologia)
Orsino Borges de Oliveira Filho
(Diretor de Laboratórios e Serviços Tecnológicos)
1. Segundo o Balanço Energético Nacional, editado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a capacidade instalada em 1974, ano de fundação do Cepel, era de 18.133 MW. No ano passado, essa matriz se diversificou e apresentava uma capacidade instalada de 181.160 MW. 2. Ao todo, a nova estrutura organizacional implantada ao final de 2021 dispõe de 16 unidades administrativas. 3. Antes do resultado financeiro.